Mostrando postagens com marcador Finezas de Jesus Sacramentado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Finezas de Jesus Sacramentado. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de abril de 2020

SEGUNDA FINEZA DE JESUS SACRAMENTADO


Segunda Fineza de Jesus Sacramentado para com os homens.

Jesus Se deixou Sacramentado quando quis ausentar-Se dos homens.


Admirável e engenhoso descubro nesta Fineza o ardentíssimo amor de Jesus. Sabia Sua Majestade serem já breves os últimos períodos de Sua vida entre os homens, pois era necessário subir ao trono de Seu Eterno Pai, para desarmar a Divina Justiça quando ela empunhasse a espada contra os pecadores. Porém, Seu amor fazendo ao Seu coração uma violência, ao apartar-Se de Suas criaturas, encontrou um modo maravilhoso de partir sem Se ausentar. Instituiu este inefável Sacramento, no Qual, convertendo a substância do pão na de seu próprio Corpo vivo e animado, deixou realmente no mundo, debaixo de uns poucos acidentes, o mesmo que em uma nuvem voou ao Empíreo*.

Antes quis mostrar-nos serem tão grandes Suas delícias em viver entre nós, que por uma só ausência que fez ao céu, fez-Se presente milhões de vezes aqui na terra. É verdade que uma nuvem O escondeu de nossos olhos no Monte Oliveiras, mas Seu amor designou que Se deixaria exposto nos Altares à nossa vista. Partiu-Se o Divino amante, sem Se ausentar, e, para assegurar-nos de Sua companhia, deu-nos o precioso dom de Si mesmo, deixando-nos empenhado Seu Corpo e Sangue.

Não obstante quisera eu me dissessem que coisa fez no mundo que assim enlaçou e uniu às criaturas o Coração de Jesus! Porque eu não sei mais que o que me diz o Evangelista: que o mundo não O conheceu, e que os Seus não O receberam. Não achou Ele na terra, da qual não soube ausentar-Se, mais que injúrias atrocíssimas e horríveis ingratidões, ferido com açoites, desprezado com opróbrios, um estábulo para nascer, e para morrer uma Cruz. Apenas encontrou um Pedro, que, tendo-O negado três vezes, só uma O confessou. Teve apenas uma Madalena, que, tendo-O ofendido muito, O soube amar. 


Porém isso mesmo é o que rendeu o Coração de Jesus, para não poder apartar-Se do coração dos homens. Depois que Sansão deu a entender seu mais fino amor a Dalila, revelando-lhe o maior segredo em que constituía sua vida, diz o Sagrado Texto que ela logo fazia esforço para apartá-lo de si com aversão, porque era tanto o amor em que se abrasava Sansão para com Dalila, que nada o podia separar. Assim fez o mundo com Jesus. Ele o prende com fortes laços de amor, e o mundo o arroja de si com desumanos tratamentos. Mas então se abrasa mais estreitamente com ele o Divino Sansão, e, forjando daqueles acidentes uma cadeia, seu amor quedou-Se para sempre inseparável dos homens no Sacramento.

Aquele Anjo, que, só pelo espaço de uma noite, se estreitou em abraços com Jacó, procurava logo apartar-se dele. "Deixa-me ir-me embora, Jacó", lhe dizia, porque já nasce a aurora, e não convém a um Anjo deter-se mais de uma noite entre os braços de um homem. Mas, ó prodígio do amor divino! O que não é conveniente a um Anjo será conveniente a um Deus? Tanto há podido o amor de Jesus. Poucos instantes pareceram ao Rei dos Anjos os tantos anos que Ele vivera entre os braços e companhia dos homens; e se esses O arrojam de si e O despedem, se nem O conhecem nem O recebem, Ele, para não os deixar, sujeita-se a encerrar-se dentro de um Sacrário, em um rincão de uma Igreja. Mais ainda, como em prisão, sob uma chave.

Ah! Mortais! Se isso não vos faz abrasar em amor para com vosso Deus Sacramentado, asseguro-vos de que tendes entranhas de pederneira e corações de bronze. O Deus de Majestade é vosso prisioneiro, uma chave O guarda no Sacrário. Que maravilhas tão novas são estas que veem nossos olhos? No presépio o amor se faz homem, sendo Deus. No Altar O aprisiona, sendo Monarca. Ó, amor tirano, amor cruel! Exclama aqui Santo Agostinho, por que abates a Majestade? Por que condenas a Inocência?

Assim é, Almas Católicas, o amor condenou Jesus Sacramentado à prisão perpétua. Vede-O aí como preso debaixo dos acidentes de um pouco de pão, dentro de um pobre Sacrário, e entregue a uma vil criatura que, a seu arbítrio e vontade, já o abre, já o cerra. Aqui seguro O mantemos, e dentro daquela custódia nos está sempre dizendo aquelas doces palavras: Ecce vobiscum sum usque ad consummationem sæculi. “Aqui estou convosco até o fim do mundo”. É verdade que vivo e reino no céu, onde tenho Meu trono sobre as asas dos mais altos Serafins. Mas Eu sou realmente o mesmo Que aqui tendes na terra, porque embora deveras tenha-Me ausentado, nunca pude separar-Me de vós, e me entreguei em vossas mãos, oculto neste Sacramento. Já não ouvirão aqui as Almas que Me buscarem o que disseram os Anjos àquela amante, quando ansiosa me buscava no Sepulcro: Non est hic. Já Se foi teu Amado, porque os que guardavam Seu Corpo não souberam velar. Mas como nestes altares está sempre de sentinela Meu amor, não posso nem quero, não tenho coração para ausentar-Me.

Essa é, sem dúvida, a causa por que a Seráfica Virgem, Santa Teresa, se maravilhava quando ouvia dizer: Ó ditoso de mim se me achasse naqueles tempos em que Jesus conversava e vivia no mundo! Essa é uma necedade, dizia minha grande Madre, pois neste Sacramento, cifra do Divino amor, temos o mesmo Jesus, Que como Criança derramava tenras lágrimas num presépio; o mesmo Que quando homem suava, e pregava pelas praças, e caminhava a pé enxuto pelos mares; o mesmo Que, derramando sangue, pendia duma Cruz no Calvário; e, finalmente, o mesmo Que ressuscitou glorioso de um Sepulcro. Para que, pois, suspirar ou desejar outros tempos para ver e gozar da presença de Jesus?

Antes são agora mais felizes nossos tempos, porque então bem podíamos ver e ouvir em carne mortal o Redentor, mas não metê-l'O em nossos corações e em nossas entranhas. Então a uma só Madalena, que ardia em amor por Ele, consentiu que Lhe lavasse os pés com suas lágrimas, beijasse-os e enxugasse com seus cabelos, e dali a pouco tempo lhe ordenou não O tocasse. Então a um só Discípulo, e esse o mais valido, permitiu reclinar-se sobre Seu peito. Mas, neste amoroso Sacramento, não só consente que Lhe beijemos os pés, mas também a boca. Não só permite que folguemos sobre Seu peito, mas oferece a todos que descansemos dentro do mesmo peito, ou que Ele descanse dentro do peito de todos; porque como diz discretamente São Jerônimo, neste dulcíssimo Sacramento, nós comemos a Jesus, e Jesus nos come a nós: Jesus entra em nossos corações, e nós entramos no coração de Jesus.

Vede, pois, se tendes alguma razão de desejar aqueles tempos em que Este Verbo humanado vivia e conversava no mundo. Não me digais que sobre aqueles Altares não vedes outra coisa que uns poucos acidentes de pão, e que se esconde à vossa vista a formosura de Jesus. Porque eu vos peço e suplico que aviveis aquela Fé que recebestes nos peitos da Igreja Católica vossa Madre, que com o primeiro leite de seus infalíveis documentos vos instilou, que neste admirável Sacramento está o Corpo e Alma de Jesus com todas Suas perfeições e excelências.

Levantai, pois, com a consideração o sutilíssimo véu daqueles acidentes que cobrem o Corpo de Jesus, e vereis aquele mesmo rosto que na Glória desejam ver os Serafins. Vereis aqueles mesmos olhos, dos quais uma só vista bastava para serenar os mais afligidos corações. Vereis aquela mesma boca, que tem palavras de vida eterna e é a Fonte de todas as delícias do Paraíso. Ali estão aquelas mesmas mãos, artífices de tantas maravilhas, e aqueles mesmos pés, que na terra deram tantos passos por vosso amor. Finalmente, neste adorável Sacramento está todo o Divino Verbo humanado, Que saiu do delicioso peito de Seu Eterno Pai para redimir e glorificar todos os mortais.

Não julgueis que as partes do belíssimo Corpo de Jesus estão confusas e sem proporção no breve círculo d'Aquela Hóstia, porque, vos asseguro, acham-se ali todas com a mais admirável simetria que soube inventar Seu amor. Nem a cabeça está no lugar dos pés, nem esses no lugar das mãos, senão disposto tudo de tal maneira que estão submersos à sua vista os Serafins, num pélago de maravilhas. Ali pôs sua infinita sabedoria por um modo indivisível. Ali, retendo em ordem a Si mesmo toda a própria extensão, sem dependência de lugares, está todo em toda a Hóstia, e todo em qualquer parte d'Ela, e se acha Seu Sacratíssimo Corpo inteiro e admiravelmente quantitativo. Tanto pode com Ele Seu amor, que deste incompreensível e maravilhoso modo se deixou no Sacramento, antes que Se ausentasse para o Céu.

* Mais alto dos ceus, lugar da presença física de Deus, e onde residem os anjos e santos acolhidos no Paraíso. (N. do T.) .

(Finezas de Jesus Sacramentado para con los hombres, e ingratitudes de los hombres para con Jesus Sacramentado. Escrito en Toscano, y Portugués por el P. F. Juan Joseph de S. Teresa Carmelita Descalzo. y traducido en castellano por D. Iñigo Rosende presbitero. Con licencia. Barcelona: En la Imprenta de los Herederos de Maria Angela Marti, Plaza de S. Jayme, año 1775.)

terça-feira, 17 de março de 2020

Primeira Fineza de Jesus Sacramentado.


Primeira Fineza de Jesus Sacramentado para com os homens.

Jesus deixou-Se Sacramentado no tempo em que os homens mais O ofendiam

Quando considero as ações de Jesus, amantíssimo Redentor Nosso não posso de modo algum, determinar qual, dentre todas, seja a mais fina e amorosa para com os homens, porque todas igualmente dão a conhecer um amor imenso e infinito. Porém, como o Discípulo mais amado e Secretário do mesmo amor deixou-nos escrito que tendo Jesus amado os Seus, ao fim de sua vida os amou mais: In finem dilexit, hoc est, majora in posterius reservat, como comenta o Doutor Angélico, assim parece que podemos dizer que naquela misteriosa Ceia, em que nos deu Sacramentada Sua carne, excedeu-Se a Si mesmo Seu amor, foi um amor sem semelhante, um amor sem fim: In finem dilexit. É certo que o coração de Cristo foi sempre ferido do amor de suas criaturas. Esse amor O obrigou a baixar do Seio delicioso de Seu Eterno Pai para desposar-Se com a humana natureza; obrigou-O a nascer em um Presépio entre brutos desprezíveis, sendo Que tinha Seu Trono sobre o mais elevado dos Serafins. Finalmente, esse amor O aniquilou, sendo Onipotente; fê-l'O mortal, sendo Eterno, e O fez mendigo trinta e três anos no mundo, cheio de injúrias e de trabalhos. Mas quando, ao despedir-Se dos homens esse Senhor, deixa-lhes por comida Seu Corpo e por bebida Seu Sangue, quem não vê que foi essa a fineza mais excelente de Seu amor, na qual sobressaem os mais subidos quilates de Sua caridade?




Deste amor, pois, ó Almas Católicas, tomo eu aqui o assunto para discorrer, e com palavras toscas mostrar-vos as excessivas finezas que Jesus obrou em deixar-vos o inefável Sacramento do Altar, para que, à vista delas, sobressaiam mais as ingratidões com que o mundo corresponde a Seu Rei Sacramentado.


A primeira fineza que reparo é o tempo em que Jesus nos deixou Sacramentada Sua Carne. Tinha vivido trinta e três anos entre os homens, e só quando a malícia desses mesmos homens havia chegado ao maior excesso que se poderia imaginar de uma criatura, a saber, maquinar a morte ao Seu Criador, então fez alarde Seu amor de dar-lhes a comer, em acidentes de pão, Aquele mesmo Corpo Que eles determinavam fixar numa Cruz. Entendeu Esse finíssimo Amante que o maior benefício só se devia fazer no tempo da mais abominável ofensa. Quando os homens conspiravam contra Sua vida, quando o próprio Discípulo tratava de vendê-l'O a Seus inimigos, então é que Ele lhes dá a comer de Sua Carne e a beber de Seu Sangue. Os grandes incêndios crescem mais com as contínuas chuvas. Era o Coração de Jesus um forno ardente de amor; porém com o aguaceiro de tantos agravos aumentou de modo que O sacrificou sobre um Altar em vivas chamas de caridade. Obrou Jesus com os homens o que faz o sol com a terra, pois os mesmos vapores com que essa obscurece sua luz, converte-os o sol em benéficas águas, que regam e fertilizam seus campos. Anelava o Amante Redentor instituir este Sacramento para desafogo do amor em que ardia, lá quando naquele princípio sem princípio da eternidade Se recreava no peito de Seu Eterno Pai. Veio ao mundo, viveu e conversou conosco muitos anos, sem querer satisfazer a Seu amor com a maior fineza, até que o viu mais ultrajado e mais mal correspondido.


Ah mortais! Assim age conosco um Deus amante. De nossas mesmas ingratidões faz escada Seu amor, pela qual sobe ao mais alto cume da maior bênção. Esperou o amoroso Jesus que a malícia humana chegasse ao maior excesso para executar o favor mais vantajoso. Já os homens O haviam buscado para tirar-Lhe a vida, já O haviam desterrado e obrigado a viver em terras alheias, já O haviam querido apedrejar desumanamente. Mas todos esses agravos não bastam, hão de aumentar mais as ofensas, e, quando as injúrias chegaram ao último, então saiu a campo o Amor, e deu de si a maior prova, que jamais pudesse ou soubesse inventar.


Ó quão diferentes daqueles, provados nos passados séculos, então foram, os efeitos que causou o amor no Coração de Jesus! Naquele tempo, quando os pecados dos homens inundavam toda a terra, provocaram a Justiça Divina a submergir em um dilúvio todo o universo. Porém agora que as culpas dos mesmos homens excedem muito às passadas, não só não os destrói com um dilúvio, senão que (ó maravilha!) os presenteia com as delícias do Seu Sangue. Então, quando o ingrato Judas O vende por um vil preço, toma nas mãos o pão, e, convertendo-o em Sua própria Carne, lhe diz: Come, Judas, que Isto é o Meu Corpo. Ah! que diferentes ósculos são esses daqueles que daqui a pouco tempo Me hás de dar no Horto! Então tu serás o primeiro a por teus sacrílegos lábios em minha boca, mas para entregar-Me a Meus inimigos. Agora sou Eu o primeiro a por Minha boca em teus lábios, mas para comprar-te. Aqui tens Meu rosto pegado ao teu, e Minha boca tocando a tua. Porém quero mais de ti, Discípulo ingrato; come Esta Carne e bebe Este Sangue com Que agora te brinda Meu amor, antes que O derrame teu ódio. Este é o mesmo Sangue Que tu estás tratando de entregar e vender. Leva-O a meus inimigos, porque Eu desde aqui abri minhas veias sobre este Cálice, antes que os açoites na Coluna e os cravos na Cruz não deixem uma só gota em Meu Corpo. Mas, ó Alma Católica! Que conceito forma teu entendimento desse amor imenso de Jesus? Naquela mesma noite em que O venderam, deixou-Se Sacramentado. Quando as criaturas envenenaram o pão para dar-Lhe a morte, então amassa o outro pão com Sangue para dar-lhes inteira vida. E essa é a primeira das Finezas de nosso Rei Sacramentado.


(Finezas de Jesus Sacramentado para con los hombres, e ingratitudes de los hombres para con Jesus Sacramentado. Escrito en Toscano, y Portugués por el P. F. Juan Joseph de S. Teresa Carmelita Descalzo. y traducido en castellano por D. Iñigo Rosende presbitero. Con licencia. Barcelona: En la Imprenta de los Herederos de Maria Angela Marti, Plaza de S. Jayme, año 1775.)

Jesus eu Vos amo em todos os Sacrários da terra, vinde ao meu coração, vinde vivei em mim e transformai-me!