sábado, 21 de setembro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: Fala, Ó Jesus!

CENTELHAS EUCARÍSTICAS

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DE
Pensamentos e afetos devotos
a
JESUS SACRAMENTADO

XIV
Fala, ó Jesus

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HÁ tanto tempo que não me dizes nada! Na comunhão emudeces, calas-te na visita, e o mesmo fazes durante a Missa... Porque me tratas assim? Bem sei que eu só mereço castigos, por ser muito má; mas afinal, uma pequena palavra jamais a negaste, mesmo aos teus inimigos; falaste até aos endemoninhados... E a mim porque não me dizes nada?

No meio de tantas misérias de que o meu coração está cheio, se eu tenho uma palavra boa e afetuosa, é a ti que eu a digo. Se alguma dor me aflige, se alguma alegria me embriaga, a ti as vou logo confiar. E se às vezes eu te falo, é porque sei que tu conheces o meu ser até às fibras mais íntimas, que lês dentro de mim melhor do que eu te sei falar. Ao passo que, se tu não me falas, como poderei eu saber o que sente o teu Coração a meu respeito?

Bem sei que já falaste um dia e que as tuas palavras estão escritas nos Evangelhos, onde posso lê-las e meditá-las todas as vezes que queira; mas, essas mesmas palavras, à força de lê-las sobre o frio papel, ou de ouvi-las repetir pela débil voz de um homem, já não têm a eficácia de outrora, e quase sempre me deixam indiferente... Escuta, ó Jesus; não poderias tu dizer-me essas palavras diretamente ao coração... Ao menos alguma delas! Não te peço aquelas comunicações que fizeste a certas almas privilegiadas... Bastar-me-ia que tu mesmo me fizesses ouvir no coração — que é preciso estar vigilante, porque tu chegas quando menos se pensa; que nada aproveita ganhar o mundo inteiro, que fosse, se depois se perde a alma; que tu vieste ao mundo trazer um certo fogo, e queres que ele se acenda; que quem se alimenta da tua carne, terá a vida eterna; que... Em suma, qualquer daquelas palavras, que fazem tanto bem...

O Jesus, façamos um pacto. Eu me prepararei o melhor possível para a próxima comunhão e irei receber-te com todo o fervor; e tu, da tua parte, prepara-me algumas daquelas palavras que dão a vida, e quando baixares ao meu coração, dize-me essa palavra, de modo que eu a ouça, que me desperte, que me torne feliz e, sobretudo, que me faça santo.

Ó Jesus, estamos entendidos?

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: A hora avizinha-se

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
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XIII
A hora avizinha-se 
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O tempo que passo vizinho a Jesus voa rápido como qualquer outro; à medida que eu oro, avanço para a morte. A morte! Quem sabe quando soará a hora tremenda! Sabe-o Jesus, mas não mo diz. Tantas outras coisas me revela claramente ao coração, mas esta não... Devo, portanto, caminhar às cegas, sempre preparada para baixar à sepultura. Paciência! Também eu irei para debaixo da terra; mas, antes disso, quero pensar um pouco, prever o meu caso.

Morrerei... Eu que sinto tanta repugnância em romper certos hábitos, dever quebrar o fio da vida, que é a prerrogativa mais cara, por ser a mais preciosa e antiga!... Morrer significa não entrar mais em um templo, não ver mais nenhum altar, não olhar mais a Hóstia, não mais fazer a comunhão... Significa encontrar-me com Jesus em relações muito diversas das presentes. Quais?

Agora, para ajudar-me a conciliar o recolhimento, figuro-me ver Jesus no Sacramento, todo sorrisos e doçura, todo amor e bondade, todo ternura por mim. Mas, quando morrer, quando exalar o último suspiro, vê-lo-ei porventura assim? Ou me aparecerá de rosto sombrio, severo e ameaçador?... A falar a verdade, junto do Tabernáculo, não é possível encontrar um Jesus terrível... A Eucaristia é por excelência o sacramento do amor; como se pode, pois, conciliar um Jesus-amor com um Jesus-terror?

Que eu tenha de morrer em pecado mortal... Isso não entra nos meus cálculos; espero... Antes, por força da esperança cristã, tenho a certeza que isso não acontecerá. Na pior das hipóteses, morrerei com algum débito a pagar à Justiça divina. Portanto, quando comparecer diante de Jesus, como o encontrarei? Como olhará para mim? Como me tratará?

As circunstâncias secundárias deste encontro não as conheço, nem posso adivinhá-las; mas é certo que Jesus não terá, então, perdido o seu Coração, que ama sempre as suas criaturas, mesmo quando morrem. Portanto, mesmo que me mande para o Purgatório, fará como um pai que afasta de si um filho e o manda limpar-se da lama em que caiu, desejando que volte depressa para o acolher em seus braços e cobri-lo de beijos e carícias. Eu penso que Jesus fará assim, porque, se agora me ama tanto, sendo eu tão má, também me amará então; e se me mandar sofrer um pouco, será pelo amor que me tem, para me ver depressa digna d'Ele, de todos os seus dons e ternuras.

Demais, também não é certo que eu deva ir para o Purgatório. Que eu o mereça, não há dúvida nenhuma! Mas que eu tenha de ir para lá, o amor e a misericórdia de Jesus lançam no meu espírito certas dúvidas... Pois as indulgências plenárias in articulo mortis são concedidas porventura a quem não necessita delas? A quem morre abrasado nas chamas de uma caridade perfeita? Pelo contrário, são oferecidas àquelas almas que dia a dia se agravam de dívidas para com Deus... E é Jesus que concede à Igreja esse tesouro inexaurível. Portanto, se eu realmente o desejo, posso morrer em condições de esperar a minha entrada imediata no Paraíso, o gozo imediato do meu Jesus.

Que dizes tu, ó Jesus? Raciocino mal? Espero que não. Seja, porém, como for, eu não posso habituar-me à idéia de ver-te indignado contra mim, quando pela primeira vez eu te vir fora da Hóstia... Não creio que tu, ao comparecer perante ti após a minha morte, me acolhas entre os raios da tua cólera. Estarei em erro, talvez... Mas não posso figurar-me Jesus, senão cheio de bondade, divinamente bom e misericordioso.

Mas, suponhamos, na pior hipótese, que eu tenha também de sofrer o meu Purgatório. Nesse caso, ó Jesus, enquanto estou em tempo, eu peço te ainda uma graça... É a última, e não ma negues! Se eu tiver de sofrer depois da morte, quero cumprir a minha pena perto de ti, ou, melhor, dentro do Tabernáculo. Se tiver de chorar, quero que as minhas lágrimas de fogo caiam dentro da píxide; se tiver de gemer, quero que os meus gemidos se confundam com as melodias do Pange lingua e do Lauda Sion; se tiver ainda de ser infeliz, quero sê-lo abraçada ao Ostensório; se tiver de cair sob os golpes da justiça, que o seja muito embora, mas que possa olhar o teu Coração, murmurar o teu nome, bendizer o teu amor...
Eis a graça que te peço, ó Jesus. Portanto, ou me fazes tornar santa antes de morrer, ou santifica-me depois da morte entre as hóstias dos teus tabernáculos.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: O meu posto

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XII
meu posto
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SOU peregrina do Céu. Sobre a terra estou só de passagem... Mas o meu posto, o lugar onde estou melhor e onde estou certa de não errar o caminho, é nas vizinhanças do Tabernáculo.

Com Jesus vizinho, a via do exílio já não é tão longa, a do Céu é mais segura, e a do inferno desaparece... Ah! Como se está bem aqui! Afinal Jesus está na Hóstia para mim, eu fui criada para Ele... Portanto, é natural que vivamos sempre perto um do outro.

Bem sei que Jesus tem mais repreensões a fazer-me, do que elogios; mas as suas repreensões têm um não sei quê de doce e de amável, que faz que eu as prefira a qualquer louvor humano. Parece-me vê-lo diante de mim quando me repreende: mostra-se de aspecto um tanto severo, mas em seus olhos há sempre uma certa serenidade e, pouco a pouco, um sorriso lhe aflora nos lábios... Quando ergue a mão em atitude ameaçadora... Eu olho para Ele, ponho-me a fitá-lo e, dali a um momento — nem sei como! — sinto aquela mão roçar-me nos lábios... E acabo por beijá-la.

E quando parece voltar-me as costas e ir-se embora? Faz Ele assim quando cometo alguma falta mais grave... Por exemplo, quando nutro no coração um sentimento de soberba, quando murmuro um pouco mais, quando me encolerizo com escândalo do próximo... Então parece-me que Ele está seriamente indignado contra mim, e o coração treme-me de medo... Ponho-me a olhar para onde Jesus vai, mas... Jesus é sempre Jesus... Apenas dá poucos passos e volta pelo mesmo caminho, com receio de não ser seguido. É então, que eu me precipito sobre Ele, lanço-me a seus pés, beijo os com fervor, peço-lhe perdão e, depois... Quero-lhe muito mais do que antes, e Ele mostra-se sempre meu amigo... Com um Jesus assim tão bom como é possível estar longe d'Ele?

Jesus faz-me de Mestre e de Pai espiritual; e como se aprende bem na sua escola! Quando me confesso, figuro-me que o confessor seja Ele, ou imagino estar ajoelhada junto do Tabernáculo, com a face mesmo encostada à portinha... E, então, como me descem ao fundo do coração as palavras que ouço... Talvez que o confessor se desembarace de mim com quatro breves recomendações, ou só talvez com uma, mas Jesus multiplica aquelas palavras dentro da minha consciência, da minha alma, do meu coração, e fazem-me sempre um grande bem.

Quando assisto a uma predica, aplico o ouvido ao que o pregador diz, mas o olhar tenho-o fixo no Tabernáculo... Figuro-me estar Jesus a pregar, e escuto-o com toda a atenção possível. Como são, então, belas as prédicas!... Não me enfadam nunca, o sono não me agrava os olhos, não as encontro longas. Através as palavras por vezes deselegantes e desordenadas, sem nenhum valor literário ou teológico, Jesus faz-me ouvir as suas; e que palavras!... Então compreendo porque as turbas da Palestina se aglomeravam tanto em volta d'Ele, quando lhes dirigia o seu verbo iluminado.

Em suma, ao pé de Jesus encontro-me sempre tem, e sempre ganho alguma coisa para a minha alma; ao passo que, com o mundo, em meio das criaturas, entre os pecadores, perde-se sempre alguma coisa... Portanto, o meu posto é aqui, junto do Tabernáculo, vizinho a Jesus.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: Não ouso

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XI
Não ouso
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QUISERA dizer tantas coisas a Jesus: sobretudo quisera dizer-lhe que o amo... Mas não ouso. Parece-me que, se lho dissesse, sairia do Tabernáculo uma voz indignada a dizer-me que minto. E, contudo, sinto que, com Jesus, não sei usar de ficções.

Esforço-me por dizer-lhe que o amo, mas penso logo que, aquela migalha de amor, que sinto no coração, poderei oferecê-la às criaturas, às quais se contentam com pouco; dá-la, porém, a Jesus... Parece-me que é fazer-lhe um ultraje.

Demais, que amor é o meu? Se me comparo com os Santos, longe de dizer a Jesus que lhe quero bem, vem-me à idéia fazer como Adão: — esconder-me de Jesus. Não sou capaz de fazer um sacrifício um pouco fora do vulgar, ou perseverar no bem durante um mês seguido; é já muito, se me mantenho boa por dois ou três dias... E é com esta miséria de virtude que ouso dizer a Jesus que o amo?
Os atos de fé e de esperança — vá lá! — ainda os digo com um sentimento de persuasão, que parte do meu coração; mas aquele pobre ato de caridade é para mim um escolho contra o qual sempre esbarro... Dizer-lhe que o amo sobre todas as coisas... Como posso falar assim, quando tenho no coração cem bagatelas, que me são mais caras de que Jesus?...

De boa vontade me ajoelho diante do Tabernáculo; sinto prazer em fazer a comunhão; sem dificuldade me prostro a orar; mas ai de mim, se me ponho a examinar a consciência! Encontro tantas misérias, que o desânimo me avassala o coração, e vejo-me quase forçada a sair da igreja, a interromper toda a devoção, porque... Porque não ouso dizer a Jesus que o amo. Ah! O meu pobre coração! Pudesse eu viver sem ele!...

Não ter coração!... É inútil pensar nisso. Deus mo deu e quer que eu viva por ele. Demais, que vida seria a minha, sem coração? É verdade que sofreria muito menos, mas também é verdade que certas alegrias nunca as sentiria... Por exemplo: estar ao pé de Jesus, chorar com Jesus, falar-lhe, esperar n'Ele, amá-lo... Amá-lo?... Mas é este exatamente o meu tormento! É esta exatamente a palavra que não ouso dizer-lhe!

Portanto, que farei?... Farei assim: que o amo, jamais lhe direi, porque temo dizer-lhe uma mentira; limitar-me-ei a dizer-lhe que desejo muito e muito amá-lo, amá-lo como o amam os santos do paraíso... Mas, será verdade que eu desejo isto? Sim, é verdade; posso dizê-lo para minha consolação: é verdade que desejo amar a Jesus...

Tenho ouvido dizer que o desejo de amar a Jesus é já um princípio de amor a Jesus... Será verdade? Deve sê-lo, porque, se uma coisa me éindiferente, não só não a amo, mas nem sequer desejo amá-la, nem mesmo penso nela. Mas em Jesus penso muitas vezes, ao menos de hora a hora, falo-lhe de quando em quando, desejaria mesmo ser uma daquelas almas que vivem dentro do seu Coração... Portanto, sempre tenho algum amor a Jesus... E se o amo hoje um pouco, amanhã não poderei amá-lo muito mais?

Mas afinal, ó Jesus, eu encontro-me num labirinto, e não vejo a maneira de desenredar-me d'Ele. Tenho eu este teu amor no coração? Sim ou não? Eu não entendo coisa alguma; mas escuta, ó Jesus: tenha ou não tenha esse teu amor, eu quero dizer-te e repetir-te para sempre, que o meu maior e mais ardente desejo é este: viver morrer de amor por Ti.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: Semelhanças

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X
Semelhanças 
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EM certas horas encontro-me tão triste, que até a própria vida me pesa. Mas, refletindo um pouco, vejo que é tudo questão do amor próprio ofendido, ou d'alguma paixão contrariada.

Disseram-me alguma palavra humilhante, mimosearam-me com exprobrações injustas ou palavras injuriosas, fui malsinada por aqueles mesmos cuja estima me é tão cara e preciosa... E por tudo isto me deixo dominar da melancolia? Que cabeça pequenina não é a minha! Não foi Jesus tratado pior do que eu? Não lhe chegaram a dizer que era dado ao vinho, que era um furibundo, um possesso do demônio? Portanto, porque hei de entristecer-me? Reparando bem, toda esta aparente desonra que me aflige, não representa senão um traço de semelhança entre mim e Jesus... E será isto um mal?

Como? Eu assemelhar-me a Jesus? Eu pensava que para isso bastava orar um pouco como Ele, trabalhar um pouco como Ele, dizer algumas palavras santas como as suas, fazer algumas carícias às crianças, arremessar algumas setas contra os escribas e fariseus, como era seu costume... Mas esquecia que tudo isto é muito pouco e que, para ter parecenças com Jesus, tenho de tomar uma certa cruz, e com a cruz quantas coisas amargas e pesadas!

E, contudo, é assim mesmo: a semelhança com Jesus demanda humilhações e humilhações, e depois ainda humilhações. E preciso ser-se mal compreendido e interpretado nas coisas mais evidentes e mais justas; passar por hipócrita quando se é franco e sincero; ser tido por egoísta quando se fez um sacrifício pelo próximo; ser acoimado de imbecil quando se perdoa e se ama um ofensor; ser perseguido pela calúnia pelo temor que uma virtude nossa vá ofuscar o falso esplendor duma hipocrisia; ser amaldiçoado quando só bênçãos se mereceram... São coisas que queimam a alma como botões de fogo; mas como lhe fazem bem!

Que prazer, quando se tem os olhos cheios de lágrimas, poder dizer, olhando o Tabernáculo: Também Jesus chorou assim; quando o coração trasborda de amargura e de dor, poder dizer: Também Jesus sofreu assim; quando se cai por terra sob o peso duma cruz enorme,poder dizer: Também a Jesus aconteceu assim. São gostos estranhos para o mundo, mas para a alma eucarística tem uma tal doçura e sublimidade, que ela estaria sempre sobre a via do Calvário para granjeá-las todos os dias... Para a alma eucarística... Mas para mim, que sou muito diversa, como encontro eu estes gostos?


Agora, compreendo porque quando olho o Crucifixo sinto no coração um não sei quê, como que um remorso... Acontece-me como a uma vaidosa que, vendo-se ao espelho, se encontra disforme...Basta; já sei onde está o retrato de Jesus. Irei contemplá-lo e farei confrontos. Serão odiosos à minha soberba, mas paciência! Afinal, tendo eu sofrido tantas coisas no passado para aviltar a minha alma, serei agora uma louca se sofrer um pouco para me assemelhar a Jesus?

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: Aquele dia

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IX
Aquele dia
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RECORDÁ-lo-ei sempre: enquanto sobre a terra houver um Tabernáculo, hei de levar-lhe sempre a homenagem da minha gratidão para com Jesus.

Que alvor de graça não foi aquele! Jesus olhava-me enquanto eu dirigia os meus passos não sei para onde... Invocava o lume do Céu, e o Céu estava escuro como uma noite de tempestade; volvia-me para a terra, e a terra estava envolta em trevas densas, impenetráveis... Devia decidir-me... Resolver sobre o meu futuro... E estava só... Desamparada...

O Jesus, que fazias então, em tão cruéis momentos? Sorrias talvez de amor e de piedade para comigo; e eu bem o senti naquela inspiração que me iluminou o coração depois de tantas incertezas e temores...; enchi-me de coragem, e tu me mostraste o caminho da salvação. Desde aquele momento o Céu tornou-se sereno, voltou a luz a iluminar a terra... A minha sorte estava decidida, caminhava em direção do Paraíso.

Ah! Se Jesus não me fizesse aquela graça, quem sabe o que teria sido de mim! Talvez tivesse errado o caminho; sem luz e sem guia, teria talvez ido dar aonde tantas almas encontram o naufrágio e se perdem para sempre... Tenho visto tantas almas a perder-se... Almas melhores do que eu... E porque é que Jesus me preservou a mim da perdição e àquelas não? Quantos abismos e mistérios de misericórdia se escondem no teu coração, ó Jesus!

Aquele dia foi a aurora da minha salvação; após a madrugada veio o meio-dia. Livre já do perigo de ser perdida, certa da minha vocação, Jesus nunca me abandonou. Recordo aquela vez em que me debatia com a tentação de abandonar o caminho encetado, amedrontada com as dificuldades crescentes e com as tentações cada vez mais galhardas; recordo a dúvida tremenda, que me assaltou, de ter errado a estrada e o projeto fantástico de começar uma vida, que me parecia mais perfeita, só porque era mais cômoda; recordo a angústia quase desesperada do meu pobre coração; recordo... Oh como recordo bem! Aquela visita feita naqueles momentos à Eucaristia! Ó Jesus! Como foi clara, como foi potente, então, a tua voz! Se não me tivesses falado estaria perdida... E assim estou salva! Como poderei esquecer aquele dia?

Diante de mim apresentou-se uma estrada mais estreita, mais espinhosa, mais ríspida... Era a estrada de uma maior perfeição. E Jesus queria que caminhasse por ela. Eu, porém, via-me manietada, como que tomada de terror. E não havia um meio termo: ou andar para a frente ou voltar para trás... Retroceder seria o mesmo que renegar a Jesus; andar para a frente era uma deliberação que exigia de mim um sacrifício enorme, dilacerante, imprevisto... Acabrunhada, quase envilecida, sem a menor energia para nada, só me restava a força de olhar para Jesus... E eu olhava para Jesus...

O que então aconteceu sabemo-lo Jesus e eu somente. Aquele sacrifício consumou-se... E quanto sangue não verteu o meu coração! Depois de tantos anos, a cicatriz ainda não fechou de todo. Mas, não importa; eis-me no caminho da perfeição... A hora final aproxima se com rapidez... Não sou eu que corro, é Jesus que me leva, que me impele... Que seria hoje de mim, ó Jesus, se não me tivesses inspirado aquele momento de heroísmo?

Graças, ó doce esposo da minha alma, graças infinitas eu te rendo! Poderei esquecer as lágrimas e as dores do meu passado, mas nunca esquecerei aquele dia que tu sabes; e enquanto a memória conservar o tesouro de tal recordação, o meu coração baterá as palpitações da mais terna gratidão para contigo.

Já sobre o limiar da eternidade, eu te peço ainda uma graça. Há muitas almas, ó Jesus, que são como eu era antes daquele dia. Tu conhece-las bem... Tem piedade dessas infelizes e renova em favor delas a misericórdia que usaste para comigo... Manda-lhes um raio de luz, aquele impulso poderoso ao coração, aquela fascinação para a virtude... Elas te servirão melhor do que eu, com mais fervor, com uma constância mais perfeita, com heroísmos mais belos... Ó Jesus, eu te recomendo aquelas almas... Não me recuses uma graça tão bela... Que a alvadaquele dia desponte também para elas... Que bem necessitam dela!

domingo, 15 de setembro de 2019

Centelhas Eucarísticas: Que mal há nisso?

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JESUS SACRAMENTADO


VIII
Que mal há nisso?
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SE uma alma prova alguma ternura na oração, se chora de suavidade diante do Santíssimo Sacramento, se experimenta doçuras sensíveis em muitos atos de piedade, e se até deseja estas coisas... que mal há nisso?

Contudo, há quem se apavore como diante duma mina ou, quando menos, diante dum perigo real e gravíssimo para a verdadeira devoção e para a virtude. E não raro se ouve dar-se a isto o nome de sensibilidade morbosa, de sentimentalismoe até de sensualidade espiritual, e só porque uma pessoa devota mostra ter tais tendências e gostos, já é acoimada, se não de fingida, certamente de iludida e de mal fundada na piedade.

Será, portanto, necessário privar o coração humano duma grande parte da sua vitalidade, só porque tem o dever de viver como cristão? Não poderá o sobrenatural existir e produzir o bem sem a destruição do natural? Se o coração, amando sempre a Deus, conserva e aumenta o próprio natural sentimento afetivo, que mal há nisso?

Este sentimento, esta sensibilidade de coração, por si mesma, não é má; portanto, porque se não poderá referir a Jesus e valer-se dela para se estar mais unido a Ele?...

Tem-se dado, e não uma só vez, o caso de uma alma a qual, vendo-se motejada na sua sensibilidade, e não tendo a força de se deixar julgar mais doente de morbosidade afetiva que animada de verdadeira devoção, abandonasse toda a prática religiosa, e volvesse o próprio coração, que tinha necessidade de amor sensível, para as criaturas, perdendo-se talvez? Pense nisto quem, embora seja puro e cândido como a neve, é frio e duro como o gelo. O homem não tem só uma cabeça, tem também um coração: não vive só da razão, mas também, e muitas vezes, do sentimento. Pretender sufocar este sentimento, não permitir que ele compareça e opere na vida religiosa e moral, é uma crueldade e um absurdo.

E tu, ó Jesus, o que dizes desta sensibilidade do coração? Desagrada-te porventura? Vês nela algum mal? Ah! Se tu fosses inimigo da devoção sensível, das lágrimas de ternura, e de certas expansões de corações cheios do teu amor, quando desceste à terra não terias tomado carne em um país oriental, onde tudo fala de poesia e de sentimento, onde as inteligências são propensas ao lirismo mais arrebatado, onde os corações se deixam levar mais facilmente do entusiasmo, onde a sensibilidade dos corações parece tocar os limites da consciência;... Não terias vivido lá onde o Cântico dos Cânticos era uma das melodias mais caras ao povo e ao sacerdócio... Não te terias deixado aproximar, beijar sobre os pés e banhar de lágrimas, por uma Madalena... A Madalena! Quantas virtudes!... Mas quanta sensibilidade de coração naquela mulher!... Contudo, tu a privilegiaste a ponto de a considerares primeira, depois de tua Mãe... E se agora alguma alma de temperamento semelhante ao de Madalena quiser chorar e amar aos teus pés... Que mal está nisso?

A sensibilidade de coração, a tendência para as lágrimas, desacompanhadas da prática da virtude, são perigosas. Mas quando se cultiva a humildade, quando se tem caridade para com o próximo, quando se obedece aos superiores, quando se pratica a mortificação, quando se possui o espírito de sacrifício, que mal há em derramar uma lágrima beijando o Crucifixo, em sorrir de ternura olhando o Tabernáculo e a Hóstia, em gostar suavemente uma doçura interior ao fazer a Comunhão?

O Jesus, tu és Deus; portanto é justo e necessário amar-te, quanto se possa, duma maneira sobrenatural e divina... Ó Jesus, tu és Homem: portanto se fores amado também duma maneira humana e com sensibilidade humana... Que mal há nisso?

sábado, 14 de setembro de 2019

Centelhas Eucarísticas: Como chamar-Lhe?

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VII
Como chamar-Lhe?
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NÃO sei, realmente, que nome deva dar às minhas comunhões, principalmente em certas manhãs.

Chamo-lhe comunhão, só para dar-lhe um nome menos impróprio: mas a minha comunhão não é certamente aquela que fazia dizer a São Paulo: Vivo eu, já não eu, mas vive Cristo em mimAh! Como eu estou longe das comunhões do grande Apóstolo!

Jesus vem mim; isso é verdade: mas entre Jesus e a minha alma que união se forma? Quando muito não passa duma tal ou qual aproximação, mas nunca união feita de modo a formar quase uma só coisa.

Vejamos um pouco o que sucede. A Hóstia desceu dentro de mim, portanto Jesus está todo dentro do meu ser. Mas qual é o laço que nos une? As nossas mentes? Oh, pobre de mim! A mente de Jesus está toda cheia de pensamentos santos, e a minha, quando não está cheia de tentações, é pelo menos batalhada por fantasias sem nexo, e raras são as vezes que pode conservar um bom pensamento por um quarto de hora. E sendo as nossas mentes tão contrárias, como poderão unir-se de modo a formarem uma só?

Unir-se-ão os nossos corações? Tremo só em pensá-lo. O meu coração unido ao Coração de Jesus! Mas como é possível? O seu, sabe o Paraíso como é, sabem-no os santos e os anjos, e eu também o sei um pouco: é, para o dizer em uma palavra, o santuário de toda a pureza e de toda a santidade. E o meu o que é? Sabe-o o meu confessor, que muitas vezes lhe apalpa as chagas e se esforça em vão por curá-las; sabe-o o demônio, que quase todos os dias lhe deita dentro mãos-cheias de lama; sabe-o o meu bom Anjo, que tantas vezes se entristece por minha causa; sabe-o Jesus, que todos os dias se vê condenado a viver, não em um trono, mas em uma prisão; sei-o também eu que sinto o seu peso, as suas rebeliões, os seus remorsos. E dois corações que são entre si pouco menos que uma contradição viva, como poderão fundir-se juntamente? Já não é pequeno favor que o de Jesus esteja perto do meu sem fulminá-lo...

E se há tal disparidade e contraste entre Jesus e mim, que espécie de união se forma entre nós, quando O recebo? Agora compreendo como os Santos eram uma coisa e eu sou totalmente outra! Eles pensavam e amavam como pensa e ama Jesus: e eu penso e amo... A meu modo, conforme me apraz. Daqui resulta que na comunhão Jesus e eu nos encontramos perto um do outro, mas como dois bons vizinhos de casa, que se tratam cortesmente, trocando-se reciprocamente palavras cordiais e atos gentis. Mas não são duas almas, fundidas uma na outra, como as de Jonatas e David, de uma extraordinária semelhança e quase identidade de tendências e de afetos.

Portanto, como hei de chamar a minha comunhão? O nome pouco importa; a coisa em si é que é tudo, isto é fazê-la de modo que corresponda quanto possível ao fim para que foi instituída. Jesus não se contenta com encontrar as almas que estejam sem pecado, porque então encontra-se pouco mais ou menos como dentro da píxide, que é limpa e dourada, mas sempre fria. Ele quer que eu pense como Ele pensa e o ame conforme Ele ama; quer que eu em todas as coisas me esforce por estar de acordo com Ele, quer que eu ame a caridade, a paciência, a pureza, o sacrifício... Quer, em suma, que recebendo-o uma vez, viva d'Ele e jamais de mim mesma.

Viver de Jesus?... Não viver mais de mim mesma?... Meu caro Jesus, como se conseguirá viver assim? Da minha parte penso que, só por mim, não o conseguirei em cem anos... Portanto, ó Jesus, que farei? Deixar-te estar e não te receber mais? Não o posso fazer. Receber-te sempre e proceder como antes... Não quero. Portanto?...

Portanto, resolve tu a dificuldade, ó Jesus. Eu, por mim, deixo-te livre a entrada no meu coração... Prometo-te que não farei oposição aos trabalhos da tua graça... Vem, fere, derruba, esmaga, edifica... Fazei tudo o que quiseres, contanto que a minha Comunhão seja... uma verdadeira Comunhão.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Centelhas Eucarísticas: Adeus, Jesus

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VI
Adeus, Jesus
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CAIU a noite sobre a terra e vai também caindo sobre a minha alma. Em breve ficarei sepultada num sono profundo... Não pensarei em ninguém e ninguém pensará em mim... Ninguém? Mas que fará Jesus no Tabernáculo? Para quem estará Ele ali? Ele que nunca dorme, que sempre ama, não pensará em mim?

Eu dormirei como uma criança, e Jesus me olhará como uma mãe... Talvez sorrindo, talvez chorando... Quantas razões não tem Ele para chorar sobre a minha alma? Hoje, por exemplo, só pensei em fazer duas coisas: em honrá-lo com alguma homenagem, e em pungir-lhe o Coração com alguns espinhos... Eu sou uma perene contradição vivente: quero amar a Jesus, digo-lhe que o amo, e amo-o realmente, se não muito, ao menos um pouco... E depois, se a paixão me sugestiona um tanto, já não tenho coragem de lhe resistir... Olho então para Jesus, e vejo-o triste...

Eis me, pois, chegada ao fim deste dia, que passou entre carícias e indelicadezas, entre incensos e vilipêndios... Como posso repousar tranquila? E se Jesus, em vez de assistir-me, me viesse chamar a contas?

Eu conheço bem a Jesus: amou-me sempre, mesmo quando eu era pior que hoje... Não me há de amar mais agora, que o amo mais do que nunca? Ainda que tivesse de morrer repentinamente, Jesus me recusaria a graça duma contrição perfeita?... Se me esperou tanto tempo, quando eu andava longe, agora que lhe estou tão vizinha, me voltará às costas no momento de maior necessidade?

Caro Jesus, certos receios fazem-me muito mal, e enregelam-me o coração... E eu que tanta necessidade e tanto desejo tenho de inflamá-lo! Não! Eu vou repousar tranquila; fiz o ato de contrição o melhor que pude... Pertence-te a ti o ter misericórdia da minha alma.

Adeus, Jesus: até amanhã pela manhã. Enquanto eu durmo, enquanto a minha alma não é perturbada pelas paixões, tu que sempre velas e sempre amas, encosta-te a ela e cura-a de todas as suas enfermidades, infunde-lhe aquelas energias que a façam operar galhardamente o bem... Transforma-a enfim numa santa...

Como serei feliz se, ao despertar de madrugada, me vir toda outra do que sou agora... É verdade que isto é um sonho, quase um delírio...  Que importa? Jesus vê que tenho, se não mais, ao menos um pouco de boa vontade.

E quando foi, ó Jesus, que desprezaste os bons desejos duma alma, que te ama?

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

OS ADORADORES DE JESUS SACRAMENTADO

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Gustate et videte, quoniam suavis est Dominus 
– “Provai e vede quão suave é o Senhor”(Ps. 33, 9).

Sumário. Entre todas as devoções, a devoção de Jesus sacramentado é, sem dúvida, depois da recepção dos sacramentos, a primeira, a mais agradável a Deus e a mais proveitosa para nós. Por isso é que todos os santos ardiam de amor a esta dulcíssima devoção. Não te pese, pois, meu irmão, abraçá-la também, e abreviando tuas conversações com os homens, vai freqüentemente entreter-te com Jesus e comunicar-lhe as tuas necessidades. Ganharás talvez mais, num quarto de hora de oração diante do Santíssimo Sacramento, que em todos os mais exercícios devotos do dia.

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A fé ensina, e nós somos obrigados a crer, que na Hóstia consagrada está realmente Jesus Cristo, sob as espécies de pão. Mas devemos ao mesmo tempo estar persuadidos que Ele reside em nossos altares, como sobre um trono de amor e misericórdia, para dispensar as suas graças e mostrar-nos o amor que nos consagra. Quanto são, portanto, agradáveis ao Coração de Jesus os que o visitam freqüentemente e se comprazem em fazer-Lhe companhia nas igrejas! Jesus Cristo ordenou a Santa Maria Madalena de Pazzi que o visitasse trinta e três vezes por dia. E esta esposa tão amada obedecia-Lhe fielmente, aproximando-se do altar o mais que podia.

Deixemos falar as almas devotas, que vão freqüentes vezes entreter-se como o diviníssimo Sacramento e digam-nos os favores, as luzes, as chamas de amor que ali recebem e o paraíso de que gozam em presença do Deus eucarístico. O servo de Deus, Padre Luiz la Nuza, famoso missionário, desde jovem e secular, amava tão ardentemente Jesus Cristo, que parecia não poder afastar-se da presença de seu amado Senhor. Sentia ali tantos encantos que, tendo-lhe seu diretor proibido que ali passasse mais de uma hora, a violência que se devia fazer para obedecer e desprender-se de Jesus Cristo era tal, que parecia uma criança arrancada ao seio materno.

São Luiz de Gonzaga tinha também recebido proibição de ficar diante do Santíssimo Sacramento; e, passando junto do tabernáculo e sentindo-se atraído a ficar, pelos suaves encantos de seu Senhor, violentava-se para se retirar e na ternura do seu amor exclamava: Recede a me, Domine, recede – “Afastai-Vos de mim, Senhor, afastai-Vos”. Era ali ainda que São Francisco Xavier encontrava o repouso após as grandes fadigas nas Índias: consagrava o dia ao bem das almas e a noite passava-a em oração perante o Santíssimo Sacramento. São Francisco de Assis, apenas sentia qualquer aflição, ia imediatamente comunicá-la a Jesus na santa Eucaristia. – Numa palavra, lê as vidas dos santos e verás que todos eram cheios de ardor por esta tão doce devoção, convencidos de que não é possível encontrar na terra tesouro mais amável do que Jesus na Eucaristia.

É incontestável que, entre todas devoções, a adoração de Jesus sacramentado é, depois da frequência dos sacramentos, a primeira, a mais agradável a Deus e a mais proveitosa para nós. Empenha-te, pois, alma piedosa, em abraçá-la, e desprendendo-te da conversação com os homens, vai passar doravante, todos os dias algum tempo, meia hora ou um quarto de hora pelo menos, em qualquer igreja na presença do Santíssimo Sacramento.

Saboreia e vê quão suave é o Senhor. Experimenta e verás o proveito que te resultará desta prática. Sabe que o tempo que passares diante do Santíssimo Sacramento será o que te alcançará mais vantagens durante a vida e mais consolações à hora da morte e na eternidade. Sabe ainda que ganharás talvez mais em um quarto de hora de oração perante a santa Eucaristia, do que em todos os outros exercícios do dia. – Onde é que as almas santas têm formado as suas mais generosas resoluções senão aos pés dos altares? Quem sabe se tu mesmo, um dia, perante o tabernáculo, não tomarás a resolução de te entregares inteiramente a Deus?

Ó majestade e bondade infinita! Vós tanto amais os homens e tendes feito tanto para que os homens Vos amem; como é então que entre os homens se encontrem tão poucos que Vos amam? Não quero mais ser do número daqueles ingratos, como tenho sido no passado. Resolvido estou a amar-Vos quanto possa, a não amar senão a Vós e a Vos provar o meu amor com as minhas freqüentes visitas ao vosso Santíssimo Sacramento. Vós o mereceis e m’o recomendais com tão grande insistência! Quero contentar-Vos. Fazei, ó Senhor, que Vos contente plenamente; é o que Vos peço pelos merecimentos da vossa Paixão. Amo-Vos, meu Jesus, amo-Vos, bondade infinita. Sois Vós toda a minha riqueza, toda a minha delícia, todo o meu amor. – Ó Mãe do belo amor, Maria, ajudai-me a amar sempre e com todas as minhas forças o vosso Filho, e a fazê-Lo amado também pelos outros. (*I 367.)

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo III – Santo Afonso

Jesus eu Vos amo em todos os Sacrários da terra, vinde ao meu coração, vinde vivei em mim e transformai-me!