terça-feira, 8 de outubro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: A Santidade (Assunto de Adoração)

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
 PEQUENA COLEÇÃO
DE
Pensamentos e afetos devotos
a
JESUS SACRAMENTADO

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XXXI
Santidade
(Assunto de Adoração)
__________

ADORAÇÃO— Encontro-me neste momento em presença do Senhor e Deus dos santos, da própria santidade. Que honra para o meu nada!... Jesus a santidade... Eu a miséria e a culpa!... Contudo, não me fulmina com o seu rigor; antes, tolera-me com a sua misericórdia, chama-me com o seu amor, para que me resolva finalmente a adorar o que até agora desprezei.

A santidade! Que bela coisa? Quantas vezes a tenho admirado nos outros, quantas vezes a tenho desejado para mim! Pois bem, esta santidade está aqui diante de mim naquela Hóstia... E é mesmo dali que ela brota para difundir-se pelo mundo e operar prodígios de virtude. Ali está a humildade... Está a paciência... A castidade... O sacrifício... A caridade... Às vezes leio na vida dos Santos e fico edificada... Oh! Se eu soubesse ler na Hóstia!... Desejo muitas vezes ir para o Paraíso para ver certos santos... Mas que paraíso não seria o meu se pudesse ver a santidade oculta, mas presente, na Hóstia!... Se um, um só dos Santos do Paraíso descesse à terra, me passasse de perto, e se firmasse um só minuto diante de mim, eu me inclinaria com a fronte por terra para venerá-lo... Mas, aquela Hóstia o que é? Não é a santidade por essência?

Ó Jesus, eu sinto necessidade angélica de adorar-te... E adoro-te. Oh! Pudesse eu cancelar da minha alma a vergonha de haver quase adorado as criaturas! Pudesse cancelá-la, adorando durante a vida inteira a tua Hóstia, ó Jesus! Pudesse eu chamar e recolher em volta de mim as humanas gerações e fazê-las cantar e glorificar a tua santidade! Pudessequebrar todos os ídolos da terra, e com os seus destroços edificar um templo às virtudes da Hóstia eucarística!

*
*          *

Agradecimento— santidade de Jesus não fica fechada dentroda Hóstia, como dentro dum livro de sete selos, mas corre largamentecomo um rio, levando a toda a terra as suas ondas benditas de salvação.

Jesus da Eucaristia tomou-me de mira, desde que eu nasci meenriqueceu sempre com os tesouros da sua santidade. Apenas eu apareci sobre a terra santificou-me com a onda purificadora do Batismo; e, depois, não cessou um só dia de derramar sobre a minha alma a chuva dasantidade com os sacramentos... Com a sua palavra... Com as inspirações... Com os bons exemplos... Quem me proporciona a ocasião de ver perto de mim, de ver passar debaixo de meus olhos certas almas vestidas de santidade? E o que são as resoluções que às vezes faço a sós comigo de corrigir-me, de melhorar-me, de acabar com certas paixões? É Jesus que quer chamar-me a si com a fascinação da santidade.

Sobretudo com a Comunhão... Oh! Aquela Hóstia que me desce ao coração!... Com a Hóstia eu possuo toda a santidade com que se embeleza o céu e a terra... Possuo-a toda... Mas, bem pouco assimilo!...

Se é verdade que Satanás e o mundo me assediam com tentações e escândalos, não é menos certo que Jesus me assedia com a beleza e a graça da santidade; e se muitas vezes me entibio, não é pelos excessivos males que presencio, mas talvez pela abundância de virtudes que observo.

Mil graças, ó Jesus! Que seria hoje de mim, se te não tivesse tido tão vizinho, se te não tivesse recebido tantas vezes? Sem Tabernáculo, sem missas, sem comunhões, aonde teria eu ido acabar?

Mil graças, ó Jesus, pelas santas inspirações recebidas aqui... Pela náusea que me fizeste sentir pelo mundo... Pelo horror que me inspiraste ao pecado. Mil graças pelas horas felizes transcorridas aos teus pés e que tanto me ajudaram a ser-te fiel!

Mil graças pelos chamamentos e pelas admoestações que me fizeste ouvir que tanto me ajudaram a levantar-me da culpa! Ah! Aqueles dias tristes, que eu passei a meditar no inferno, jamais os esquecerei! Mas muito menos esquecerei a visão da santidade, que me mostraste na Hóstia, que foi para mim a calamite do paraíso.

*
*          *

Reparação— Perante a santidade de Jesus surge o contraste da minha ingratidão e insensatez. Se em vez de estar no inferno estou aindaaqui, não é por efeito da minha virtude, mas, sim, da sua misericórdia. Pesa sobre o meu coração o remorso de ter descurado a santidade deJesus na Eucaristia. Atingi naquela fonte algumas gotas apenas... Masquantas ondas, quantas torrentes foram por mim desprezadas!...

Via aquela Hóstia passar diante de mim, ou conduzida em procissão, ou comungada por almas melhores que a minha, e não lhe dizia sequer uma palavra! Estava nas margens da Probática, e se não mergulhava naquelas águas salutares, não era por falta do anjo, mas por minha culpa. Quantas missas e comunhões descuradas! Quantas visitas omitidas! Quantas boas inspirações sufocadas! Quantas riquezas perdidas!

Jesus estava ao meu dispor, pronto a santificar-me, bastando que lho pedisse; e eu passava o tempo da visita, da missa e um pouco até da comunhão a pensar em outra coisa.

Não me resta, ó Jesus, senão invocar a tua misericórdia e esperar o teu perdão. Conforta-me o pensamento de tantas almas que, depois de tantos anos vividos na culpa, mercê da tua graça, se levantaram do lodo e conseguiram ainda deixar sobre a terra traços luminosos de santidade.

Ó Jesus! Quantas vezes não tomaste precisamente o lodo da terra para formar criaturas à tua imagem e semelhança?

Ó Jesus, eu espero que esqueças as minhas ingratidões passadas, e que sejas sempre para mim o Jesus dos dias mais belos da minha inocente juventude... Quando me amavas tanto... Quando também eu te amava tanto, tanto...

Escuta, ó meu bom Jesus, eu conservarei sempre no meu coração a amargura de uma santa compunção, por ter descurado e ofendido a tua santidade; mas tu conservas também no teu um pouco de doçura, para a dares à minha pobre alma, quando a vires desanimada do passado e desconfiada do futuro; e esta doçura, que invoco, seja a vingança sublime que tome a tua santidade das amarguras com que eu a contristei.

*
*          *

Súplica— Se Jesus me chama à sua presença, se me desce amiúde ao coração, é porque quer que eu seja santa. Portanto também eu posso aspirar à santidade... Também eu posso voar tão alto, que me perca na luz divina de Jesus... Oh! Como seria feliz se o assemelhasse ao menos um pouco! Mas, faltam-me as forças, e sozinha nada posso. Poderei, talvez, desejar esta santidade; mas atingi-la será sempre um belo sonho, enquanto Jesus me não dá a sua mão e não me ajuda.

É preciso, pois, que eu me una e adira a Ele como um ramo à videira; e então os vigores da santidade me correrão pela alma e a tornarão fecunda das mais belas virtudes... Portanto, devo identificar-me com a Hóstia divina... Porque as almas mais santas são sempre as almas mais eucarísticas... E é inútil aspirar à santidade, sem frequentar o Tabernáculo e recolher-se dentro para viver sempre de Jesus e com Jesus.

Ó Jesus meu, eis-me, pois, aos teus pés, junto do teu coração! Estou sitibunda e esfomeada de santidade... dá-me um pouco... dá-matoda! Estende a tua mão e afugenta os inimigos da minha alma! Esconjura aquele feio Satanás que sempre me insidia e me tenta... Vem ao meu coração e trabalha-o tu, conforme o teu gosto; purifica-o segundo as exigências da tua santidade; embeleza-o como convém à tua majestade divina; fá-lo tornar um coração belo e santo... Eu o ponho nas tuas mãos; faze d'Ele o que quiseres.
Não te custa nada santificar uma alma! Basta um fiat, um ato simplicíssimo da tua vontade; portanto... Vê, eu estou aqui como o caos, tudo trevas e confusão... Ó Jesus pronuncia uma só palavra eu terei logo o desejo de fazer-me santa verdadeiramente; e porei mãos à obra; e conseguirei ser santa; tornar-me-ei uma glorificação vivente da tua eucarística santidade.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: Os outros

CENTELHAS EUCARÍSTICAS

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Pensamentos e afetos devotos
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JESUS SACRAMENTADO

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XXX
Os outros
__________

SERIA necessário que eu nunca os tivesse visto na igreja. Mostram um tal respeito, oram com tal recolhimento, que eu fico humilhada, e requer-se um grande esforço de boa-vontade para eu não deixar ali as minhas devoções e ir-me embora. Vede com que fervor aquela alma boa se põe a orar! Está toda fixa na Hóstia... Quase que nem move as pálpebras, nem parece respirar... Toda a sua vida parece concentrada sobre os lábios... Estes só têm um ligeiro movimento... Todo o resto da pessoa se imobiliza. Parece a estátua da oração.

Quem sabe quantas coisas belas diz a Jesus! E quem sabe quantas coisas Jesus lhe diz, também, por sua vez! Oh! Certamente, deve haver entre aqueles dois corações uma corrente de afetos, capaz de enamorar o Paraíso... Deve ser uma alma santa aquela; e eu, em vez... É inútil pensar e afadigar-me; jamais conseguirei orar assim.

aquela outra... Vede como sorri a Jesus! Como lhe fala! Há já talvez uma hora que dura o colóquio e não dá sinais de acabar... Que bela coisa não sofrer distrações! Quantas delícias se gozam naqueles entretenimentos! Como aquela alma está de boa vontade ao pé do Tabernáculo! Quem sabe quantos privilégios não lhe terá concedido Jesus! Para mim está tudo acabado: é já muito poder eu, de vez em quando, ver estas coisas... Mas possuí-las...
E aquela outra... Oh! Como chora olhando a Jesus! Mas o seu pranto é um pranto de amor confidente, é a expansão de uma alma angustiada nos braços de um pai consolador. Vê-se bem que é uma alma cândida e pura... Porque certos movimentos nascem só nos corações inocentes... E depois basta observar-lhe o olhar para compreender o candor que está lá dentro. Ora, estas delícias não são para mim. E pensar que me faziam tão bem!

Todos estes que eu vejo a orar na igreja, são todos melhores e mais afortunados do que eu. Põem-se diante da Eucaristia e não pensam em mais nada.
Uma hora depois, ou ainda menos, saem contentes, com a respiração mais larga, com a fronte sorridente, com a alma em paz. Parece que Jesus os tenha acariciado ao coração...

Eu, em vez...
Tu, ó alma mesquinha, farias melhor se pensasses em ti mesma e não divagasses a observar o que fazem os outros. Que sabes tu do que se passa dentro daquelas almas, e entre elas e Jesus? Quem te disse que lá dentro não haja uma luta áspera e contínua contra as tentações e distrações? Quem te assegura de que aquela compostura externa não seja, mais que o efeito do recolhimento interno, um meio para subtrair-se às distrações exteriores? Depois, quem sabe se aquelas almas não serão chamadas a um grau de oração e de contemplação privilegiada?

Quando ores, e sobretudo quando fales com Jesus recolhe os teus olhos e atende ao que fazes. Se te sentes inferior a tantas almas que estão ao pé de ti, agradece a Jesus, mas agradece-lhe do coração; porque, quando Ele te abate, fá-lo para te fazer conquistar um pouco daquela virtude, que te falta talvez mais que as outras — a humildade.

Em vez, portanto, de, fazer confrontos, que acabam sempre por enfraquecer a tua esperança, olha para ti mesma, e quanto mais te reconheceres pobre, indigente, miserável, com maior humildade te deves lançar aos pés de Jesus e pedir-lhe que tenha piedade de ti. Ganharás muito mais deste modo do que a perder o teu tempo, olhando para os outros.

Se os pobres têm um pedaço de pão para entreter a sua fome, não é olhando e invejando que alguém se pode sentar a uma santa mesa, mas sim estendendo a mão ao rico e pedindo-lhe caridade.

domingo, 6 de outubro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: Pelos outros

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
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XXIX
Pelos outros
__________

NÃO se poderia, ó Jesus, fazer um pouco de bem a tantas almas que andam no caminho da perdição? Algumas há, que me estão mesmo a caráter de salvá-las; mas é preciso que elas o não saibam; desejaria ao menos melhorá-las, mas sem lhes dizer sequer uma palavra, mesmo porque seria inútil. Será isto possível?

Veio uma idéia à minha mente, que eu vou confiar ao Tabernáculo de Jesus, para que Ele a abençoe e torne eficaz.

O meu projeto é este: visto que com certos pecadores é inútil fazer raciocínios e exortações para reduzi-los à virtude, pensei em substituí-los eu mesma em certo modo, e fazer a vez deles junto de Jesus, constituir-me seu representante, na esperança de que Jesus considere como feito por eles aquele pouco que eu fizer em vez deles. Farei, portanto, assim:

Tomando em mira um certo pecador,
1.° Cada vez que for confessar-me, entenderei arrepender-me também de todos os pecados desse pecador, pedirei perdão a Deus também por ele, e direi ao confessor que me imponha por ele alguma penitência.
Uma vez por mês farei uma comunhão, não só pela sua conversão, mas em sua vez, oferecendo-a a Jesus, como se fosse feita por ele.
Todos os dias, de manhã e à noite, recitarei um Padre Nosso, uma Ave Maria, e um ato de contrição, pedindo a Deus que considere aquelas breves orações como saídas da boca e do coração do meu pecador, e que as ouça, tomando, sobretudo, em conta o ato de contrição.
Uma vez por semana, ou mais vezes ainda conforme me for possível, ouvirei uma Missa sempre por essa intenção.
Exercitar-me-ei especialmente na prática daquela virtude, que mais lhe falta a ele.
 Farei todos os dias uma pequena mortificação, interna ou externa, por intenção d'Ele, e suportarei por sua expiação todas as dores que me assaltarem mesmo de futuro.

Que dizes, ó Jesus, do meu projeto? Será mau?... Penso que não. Portanto vou desde hoje pô-lo em prática; e tu, que és tão bom, derramarás sobre ele as tuas bênçãos.

Ficamos, portanto, entendidos. Eu represento perante a tua misericórdia aquele pecador que tu sabes; e todo o bem que fizer com este fim, tu o considerarás como feito por ele... Portanto, aquele infeliz, por intermédio de mim, fará um pouco de oração de manhã e à noite, irá confessar-se, fará alguma comunhão, ouvirá missa, fará modificações e penitências, e se exercitará na virtude...

Não te agrada a substituição? Mas dize-me, ó caro Jesus, não foste tu o inventor de se substituir os pecadores? Sobre a cruz não sofreste e não morreste porventura em lugar dos pecadores de todo o mundo? E teu Pai não aceitou talvez a troca? Não perdoou talvez a todos?

Deixa-me imitar um pouquinho o teu exemplo, e imita também tu o exemplo de teu Pai celeste... Aceita a oferta, abençoa e perdoa.

Como serei feliz se com as minhas pobres forças pudesse concorrer para salvar uma alma! E salvá-la sem que ela dê conta disso, sem necessidade de defrontar com qualquer paixão sua, sem perigo de conduzi-la ao bom caminho só por comprazer comigo... E eu espero vê-la salva um dia, ó Jesus, porque se a tua misericórdia anda em procura dos pecadores, há de repeli-los quando eles movem algum passo para encontrar-te? E dando eu este passo ou antes, muitos passos, como sendo dados por ele, a ele caberá o mérito e a recompensa da conversão e do perdão.

Espero, ó Jesus, espero tanto! O pensamento de aplicar-me a esta obra santa foste tu que mo inspiras-te; e eu sei que, quando metes ombros a uma obra, a levas seguramente ao fim. Não é verdade, ó Jesus?

sábado, 5 de outubro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: À boa noite a Jesus

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
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JESUS SACRAMENTADO

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XXVIII
À boa noite a Jesus
__________

QUANTO sinto dever deixar-te, ó Jesus! Ah! Se não fosse a necessidade que me obriga ao repouso, ficaria aqui contigo até amanhã, sempre a falar-te, sempre a olhar-te, sempre a amar-te; parece-me que te diria coisas novas... Parece-me que o meu coração se inflamaria de novas chamas... Que mais depressa me tornaria santa... Mas vejo-me constrangida a ir-me embora, a deixar-te, a condensar todas as efusões do meu coração nesta mesquinha saudação — boa noite!

Boa noite, portanto, ó meu caro Jesus! Mas como passarás tu um boa noite, neste silêncio, nas trevas, na solidão? E se devesses passar uma noite como a da Paixão? Ah! Infelizmente assim será! Tu a orar, e os outros a dormir, ou a blasfemar, a esbofetear-te, a cuspir-te e ainda pior! E tu que farás?... Tu continuarás a sofrer, a orar, a amar... Mas se a noite funesta da Paixão foi uma só, as do Tabernáculo não têm conta... E esta noite vão renovar-se para o teu coração os mesmos ultrajes, as mesmas dores... Ah! Se eu tivesse império sobre os anjos! Eu faria descer do Céu uma legião deles, para cantar-te as alegrias do Paraíso e suplantar o fragor horrendo de tantas blasfêmias... Chamá-los-ia para desdobrarem as suas asas em volta do Tabernáculo e ocultarem-te assim a maré cheia das torpezas humanas.

Boa noite, ó meu Jesus! As horas que passarás dentro em pouco serão como as horas longas do Calvário. Também lá estavas mergulhado nas trevas... E sobre aquela esplanada não se via senão a turba feroz dos crucifixores e a turba lacrimante das piedosas mulheres: vozes de ódio sanguinário e gemidos de amor contristado eram a única melodia que quebrava aquele silêncio tenebroso. E tu, esta noite, terás a mesma companhia; de ti não se recordarão, senão muitos desgraçados para ofender-te, e muitas almas generosas para amar-te... Àqueles pecadores não basta o dia para ultrajar-te, querem também a noite; e aquelas almas santas sentem necessidade de ajuntar orações e penitências noturnas às penitências e deprecações do dia. Quem terá mais força sobre o teu coração? Ó Jesus, tem piedade esta noite daqueles infelizes! Não sabem o que fazem! Ora por eles! Perdoa-lhes e fá-los teus!

Esta noite, ó Jesus, escuta as orações mescladas de pranto que te dirigirão mil e mil almas puras ou purificadas por uma dor não menos bela que a inocência; tu conheces estas almas.... São esposas tuas... Elas oram por si próprias, mas mais ainda por aqueles infelizes que te renovam as dores do Calvário. Escuta-as, ó Jesus! Concede-lhes a conversão de um pecador... Ao menos de um... Oh! Que boa noite seria a tua se a coroa dos lírios se entrelaçasse com uma coroa de rosas, para engrinaldar-te o altar e perfumar-te o Tabernáculo!

Boa noite, ó Jesus! Se por acaso algum mendigo, sem teto, vier procurar um lugar de repouso na soleira do Templo, abandonando-se, esfomeado e roto, sobre pedra gelada... Oh! Ao menos ele recorde-se de que, pouco longe, vela quem um dia, menos invejável que uma raposa, não tinha uma pedra para repousar a fronte cansada; e mande-te ele uma saudação, ao menos um pensamento... E fique-se ali como a sentinela da pobreza a fazer guarda ao Rei dos Céus.

Boa noite, ó Jesus! Fale-te por mim a lâmpada com a sua luz débil; recorde-te a fé que me fez prostrar durante o dia diante do Tabernáculo em adoração; recorde-te a esperança que me dilatou o coração nas horas da tristeza e da dor; recorde-te a caridade que informou cada pensamento meu, cada afeto, todas as minhas obras e a minha própria vida; recorde-te que também eu chorei aos teus pés as minhas culpas, e sorri de contentamento debaixo da chuva dos teus perdões e das tuas graças... Diga-te aquela lâmpada bendita que as almas viventes do teu amor são ainda muitas e que, se bem que abandonadas à quietude do repouso noturno, desejam boa noite ao seu Jesus.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: Os bons dias a Jesus

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
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XXVII
Os bons dias a Jesus
__________

EIS a alba dum novo dia, ó Jesus? Mas, de que te será ele portador? Será este um dia de novas culpas ou de amores mais veementes? Quantos sacrilégios, quantas blasfêmias, quantas abominações não virão dilacerar-te o coração? E quantas orações, quantos heroísmos de virtude não to virão consolar? Eu não o sei, e certamente não é a força mesquinha do meu braço que poderá impedir a obra dos crucifixores e fazer cair-lhes das mãos o martelo e os cravos. Mas tu podes receber o meu melhor augúrio e transformá-lo em mil chamas de amor, que do coração de tantos adoradores sobem a confortar o teu.

Bons dias, ó Jesus! Que se multipliquem hoje as almas sedentas junto da Mesa Eucarística, para participarem do banquete da tua graça. Venham as almas boas, e ofereçam-te o Tabernáculo vivo do seu coração... Aqueles mármores do altar são demasiado frios para ti... Aquelas píxides não têm palpitações... E tu tens necessidade de te ver cercado do calor de almas amantes.

Bons dias, ó Jesus! Venham hoje, eu te auguro do fundo do coração, venham hoje as almas tímidas, indecisas, sempre incertas, venham fazer a Comunhão, embora se não tenham confessado há muitos dias, contanto que, afora as venialidades, não tenham caído em culpa grave e as anime o desejo de te serem agradáveis e alcançarem para si próprias um aumento de graça. Sim, resolvam abandonar-se por uma vez e com toda a confiança aos teus braços e ao teu coração! Que belo dia seria este se as comunhões das almas boas se multiplicassem!

Bons dias, ó Jesus! Os altares estão prontos; os Sacerdotes movem os passos para os calvários perenes do templo católico... Mas, quantos virão a ouvir missa? Oh! Que torrentes de sangue divino correm pela terra... E quase ninguém procura nele a salvação e a graça! Eu te auguro, ó Jesus, que a multidão imensa de cristãos dolentes, que andam pelo mundo a semear lágrimas sem conforto e esperanças iludidas, se recolha para unir os seus martírios ao teu martírio, para santificar com o teu sangue as suas dores, para alcançar a paciência entre as injustiças dos homens, para suportar com espírito de resignação santa e de justa expiação o saraivar de mil desventuras, para aprender, enfim, que a desventura é a mais nobre coroa para uma fronte humana, quando se cinge olhando o Crucifixo e beijando a Cruz.

Bons dias, ó Jesus! Que o templo não fique hoje deserto uma hora sequer; que não te falte por um minuto só a coroa dos adoradores. Ó Jesus, como eu desejaria saber que não ficarás hoje só, abandonado! Tu, que amas tanto, como desejarás ouvir repetir-te que também és amado! Venham hoje repetir-te cem e mil vezes essa bela palavra; venham dizer-ta as almas inocentes e as almas culpadas... Ah! Tu bem sabes que muitas vezes, mesmo debaixo do lodo de muitas culpas, se esconde uma centelha de amor...

Venham, pois, os pecadores dizer-te o segredo que amargura as suas almas, venham dizer-te que, sob um cúmulo oprimente de desconfortos e de respeito humano, se oculta um desejo de soerguerem-se, de voltarem aos teus braços para pedir-te perdão e fazer a paz contigo; venham dizer-te que desejariam converter-se... Oh! Que belo dia seria este se transcorresse todo em observar corações contritos ou ao menos desejosos de arrependimento, em ver almas cansadas de ofender-te e anelantes do repouso da tua graça e do teu amor!

Bons dias, ó Jesus! Mas, também eu te farei passar um dia de alegria, ou te condenarei hoje a novas penas? Ó meu Jesus, tu bem sabes que te amo, e que desejaria amar-te mil e mil vezes mais... Mas conheces também quanto sou débil na minha vontade e inconstante nos meus propósitos. Portanto... Bons dias, ó Jesus! E a bondade deste dia consista para mim em um constante esforço para viver no teu coração, e para ti na consolação de ver em mim uma alma que te ama como sabem amar-te os santos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: A Palavra Mais Difícil

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XXVI
A palavra mais difícil
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FALEI já tantas e tantas vezes a Jesus, falo-lhe todos os dias, digo-lhe um mundo de coisas, as mais belas e as mais suaves que o coração me pode sugerir; mas há uma palavra mais bela que qualquer outra, uma palavra aprendida desde criança, repetida cada dia e quase a cada hora, uma palavra sem a qual toda a oração perde a beleza e o valor, e que eu lhe não digo jamais... Ela aflora-me espontânea aos lábios nos momentos de angústia, mas eu não a ouso pronunciar, porque o coração recusa-se a acompanhá-la... E porque havia de dizer uma palavra que será uma ficção? Jesus disse-a no Getsêmani, ordenou a todos que a repetissem, porque é a mais bela que podem pronunciar os lábios cristãos: fiat voluntas Tua — faça-se a Tua vontade.

Oh! Quantas vezes vou encontrar o meu Jesus para derramar-lhe no coração um mar de amarguras, para contar-lhe a minha dor e asminhas esperanças, para constrangê-lo a ter piedade de mim... E no fimvenho-me embora com o coração pesaroso por não ter dito tudo, por não lhe ter dito — fiat voluntas TuaEnquanto oro, Jesus dá-me a perceber que quer absolutamente de mim a palavra difícil, porque lhe é mais cara; eeu repilo obstinada a inspiração santa e insisto em apresentar-lhe os desejos da minha vontade; quero receber d'Ele o que eu entendo, e não quero dar-lhe o que Ele deseja de mim. Compreendo a minha insensatez, mas como é difícil apresentar-se a Jesus com uma cruz sobre os ombros e o coração esmagado, e dizer-lhe com sinceridade: — ó Jesus, queres que eu sofra este martírio? Pois bem, também eu o quero! Como é difícil renunciar ao desejo e à esperança de ter ainda sobre a terra um dia sereno só para lhe ser agradável! Quando já se está cansado de sofrer, como é difícil querer sofrer ainda, só porque assim se agrada a Jesus!

Todavia, a santidade consiste nisto e só nisto: em fazer a vontade de Jesus. Portanto, que faço eu com as minhas repugnâncias ao — fiat?Jesus, para me fazer santa, talvez não espere de mim mais que esta palavra... Portanto?

Ó Jesus, eu compreendo tudo com a mente; mas é o coração que se revolta. Toca a ti completar a obra da tua graça, pertence a ti tornar dócil este miserável coração sempre em revolta... Ó Jesus, dá-me aquilo que mandas, e depois manda aquilo que queres — da quod jubes et jube quod vis.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

ORAÇÕES DE REPARAÇÃO ENSINADAS PELO ANJO DA PAZ



Jesus Fonte de Luz: AS SETE ORAÇÕES DE FÁTIMAEm 1916, um Anjo apareceu três vezes, a três pastorinhos, em Fátima, Portugal. Sua missão era preparar as crianças para as seis aparições de Nossa Senhora, em 1917, de maio a outubro.

Na primeira aparição, o Anjo ensinou aos pastorinhos a seguinte oração, que devemos rezar muito, pois é uma Oração de Reparação:

Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e Vos não amam”.     

Na segunda aparição, o Anjo disse:
“Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei constantemente ao Altíssimo, orações e sacrifícios”.
“De tudo que puderdes, oferecei a Deus um sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores”.
“Sobretudo aceitai e suportai com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar”.
Estas orientações do Anjo, decorrentes da Verdade Revelada por Deus aos homens, contrastam hoje com as heréticas religiões e seitas que prometem eliminar o sofrimento, substituindo-o por bons acontecimentos, mas sem se preocupar como a Vida Eterna.
Infelizmente estas religiões e seitas são vistas com simpatia pelos católicos que preferem não fazer, por ex., como Nossa Senhora, como Santa Teresinha, como Padre Pio, e como todos os outros Santos que se abandonaram à Vontade de Deus.
Muitos preferem continuar no Catolicismo, mas trazendo para ele, a contaminação das idéias heréticas.  
Na terceira aparição, antes de dar a 1ª Comunhão às crianças, o Anjo rezou mais uma Oração de Reparação, e após a comunhão, as crianças a rezaram:

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculada de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.”

Esta Oração de Reparação deve ser rezada muitas vezes também.

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Centelhas Eucarísticas: Morrer bem

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XXV
Morrer bem
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É um dos sonhos mais belos da minha alma; é um sonho que se torna cada vez mais vivo, à medida que os anos passam e as forças me vão faltando. Principalmente quando me encontro com Jesus sorri-me a idéia de uma santa morte. Figuro-me, então, estar estendida sobre o leito da agonia, a poucos minutos de distância da eternidade, com todos os adeuses já feitos aos meus parentes, com o coração desapegado já das coisas mundanas, com o Paraíso aberto aos meus olhos, e os anjos que me sorriem do alto, e Maria que me convida, e Jesus que me estende a mão para tomar-me e conduzir-me lá cima... Pensando em tudo isto eu choro um pouco, mas o meu pranto deixa-me a alma contente.

Este morrer bem, de que falam tantos livros e tantos pregadores, não será porventura mais que um sonho? Seria um engano atroz, se uma vida passada em amar a Jesus devesse acabar numa ilusão!... Isto é verdade; mas conseguirei eu ter também uma santa morte? Que muitos morram santamente, demasiado o sei, e tenho visto mais de uma vez com os meus próprios olhos; mas que uma sorte tão bela esteja também reservada para mim, é disto que eu queria assegurar-me.

E nisto penso muito quando faço a Comunhão... Quem sabe se entre tantas partículas, estaria alguma reservada para mim? Eu sempre digo a Jesus, que toda a Comunhão, que faço em vida, desejo que sirva de preparação para a última, que espero fazer na hora da morte... Digo-lhe que espero muito na infinita bondade do seu Coração, e que, depois de ter-me ajudado a suportar e vencer tantas batalhas durante a vida, não me abandonará quando combater a última e a mais decisiva de todas... Digo-lhe que não quero morrer sem Ele e que é absolutamente no seu Coração que quero expirar a minha alma... Digo-lhe... Em suma, digo-lhe tantas coisas, e muitas outras, que não sei dizer-lhe, sabe Ele lê-las no íntimo do meu coração... E certas vezes toda a Comunhão se passa em tratar somente da morte.

Penso, também, durante a Missa... O sacrifício de Jesus sobre o lenho da cruz recorda-me aquele que eu farei também quando a morte me der o último repelão. Ah! Se eu pudesse então sentir correr-me pela alma o Sangue do Calvário!... Se eu pudesse ouvir aquelas palavras: hoje estarás comigo no Paraíso!... Se pudesse morrer com Ele!... Parece-me que não me importaria de morrer sobre um leito de pedras, quando fossem as do Calvário; com a cabeça apoiada sobre uma almofada de lenho, quando fosse o lenho da Cruz; e de me sentir até esmagada por uns pés, quando esses fossem os de Jesus... Porque então eu beijaria aquelas pedras e aquele lenho banhados por um sangue divino, e sobre as chagas daqueles pés eu deporia com um ósculo a minha alma a fim de que, subindo por entre as veias do meu Amor, chegasse até o seu Coração, enele repousasse para sempre, amando... Amando...

Penso, também, nisto quando faço a visita... Então lanço um olhar a Jesus, e figurando-me ser uma filha de Jairo, ou o filho único da viúva de Naim, ou ainda o seu amigo Lázaro, fico observando se Ele me lança também um olhar, se se enternece por mim, se deixa cair uma lágrima de compaixão ou de amor, se se aproxima, se me toca, se me chama... E certas vezes parece-me mesmo que Jesus me queira bem como a um daqueles privilegiados, e que me chame à vida, não à do tempo, mas à do Paraíso... E então eu lhe agradeço, digo-lhe um Te Deumdigo-lhe que o amo deveras com todo o coração, e que me venha buscar quando eu morrer para conduzir-me ao Paraíso. Penso nisto quando... Quando o coração me dói e os olhos destilam pranto. E em que coisa posso eu pensar em certas horas senão naquela que será a última do meu sofrer?

Vaguear esperanças quando se sofre, é um multiplicar-se sofrimentos, é um acumular-se desenganos sobre desenganos... Portanto? Portanto, para suavizar as dores da vida não há nada melhor que pensar nas consolações da morte.

Ah! Que alegria viva, profunda, sublime, receber a Jesus, apertá-lo fortemente ao coração, e depois, esquecido tudo que é terrenal, pregostar as doçuras de morrer entre os atrativos do seu sorriso, entre as melodias da sua voz, entre as palpitações do seu coração, entre as chamas da sua caridade...

Mas, para morrer, assim, para morrer com Jesus, o que é necessário?

Basta viver com Jesus!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

CENTELHAS EUCARÍSTICAS: A hora bela

CENTELHAS EUCARÍSTICAS
 PEQUENA COLEÇÃO
DE
Pensamentos e afetos devotos
a
JESUS SACRAMENTADO

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A hora bela
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JESUS no Tabernáculo, e uma alma trasbordante de culpas genuflexa diante do altar... Que contraste! Quem não conhece a Jesus, ao vê-lo defronte de uma alma pecadora, desejaria pôr-se no meio deles e separá-los para sempre... Ah! Como Jesus é mal compreendido! E pensar que as horas mais belas são aquelas que Jesus passa a trabalhar com a graça sobre as almas extraviadas!

Ou esquecer o Evangelho, ou admitir que Jesus se alegra mais com a contrição duma alma pecadora que com a perseverança de cem justos. Quantos se figuram Jesus muito diverso do que se mostra no Evangelho! Que Jesus esteja cercado no Tabernáculo de almas puras, belas, inocentes, santas... Está bem; mas que se veja assediado de almas dolentes e arrependidas, está ainda melhor. Afinal, não veio Jesus à terra à procura de anjos, que de anjos tinha Ele cheio o Paraíso; mas veio à procura de pecadores, veio morrer pela salvação de todos eles, e todas as vezes que pode apertar ao coração uma alma arrependida, Ele está em festa, e sobre a terra passa uma hora de Paraíso.

Suponhamos uma alma, que tenha perdido a inocência ainda antes de conhecê-la, e que, depois, por longos anos não tenha feito, senão pecar, e sempre pecar; e que, confessada e absolvida, se prostre agora diante do Tabernáculo a chorar, a humilhar-se, e a amar a Jesus com aquele pouco de coração, que ainda lhe resta... Eis um quadro não apreciado ainda pela ignorância evangélica de alguns cristãos, e que, todavia, reveste uma beleza que torna extático o Paraíso. Jesus com uma alma arrependida! Uma alma que ora com as lágrimas, com as palpitações dum coração dilacerado pela dor; que ousa beijar não só os pés, mas o lado gotejante de Jesus; que espera dispor-se a recebê-lo dentro de si mesma, para dizer-lhe que é sua, toda sua, eternamente sua... E Jesus, que não cessou jamais de ser Jesus, Jesus recolhendo uma a uma aquelas lágrimas, como se fossem gemas do Paraíso, Jesus abrindo o seu peito e deixando cair do coração um fiozinho de sangue sobre aquela alma a orvalhá-la, a purificá-la, a refrigerá-la, a penetrá-la toda, a irisá-la de graça e beleza sobrenatural... Quem, vendo esta cena inefável, não se comove, não louva e bendiz as misericórdias do Senhor, compreende bem pouco as grandezas do Coração de Jesus... E se, por acaso, se encontrasse em casa de Simão fariseu, seria digno talvez de sentar-se à mesa defronte de Jesus, mas não de beijar-lhe os pés e banhá-los de pranto..


Quando Jesus entrava em Jerusalém entre uma multidão delirante ou os hosanas de um povo entusiasta... Ele chorava; mas quando a Madalena chorava de dor a seus pés... O seu coração triunfava e Ele era feliz.

OUTUBRO MÊS DO SANTO ROSÁRIO

Woodcuts, Engravings, and Illustrations

Outubro Mês do Santo Rosário
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Falar do Rosário sem mencionar outubro é a mesma coisa que elevar um sino sobre o pináculo de uma torre e lacrar-lhe o badalo, para que não toque. O sino é para ressoar pelas ruas, pelos vales e montes, é para se fazer ouvir pelas inocentes crianças, pelos fiéis assíduos da Igreja, pelos indiferentes e desviados, pelos que ainda conservam um resquício de fé, para que lhes recorde anos passados no recinto sagrado.

Outubro aparece como um sino que recorda e soleniza o Rosário, é como uma primavera florida com infindos matizes, para enaltecer e recomendar o Rosário, porque o prega e incita, para os que o praticam, porque o propaga e ensina entre os que não o conhecem, porque incentiva a sua prática, para que não venha a esmorecer e muito menos a ser substituída ou abandonada, porque o encarece, para que não venha aborrecer a sua contínua prática, pois como o sol que nos ilumina cada dia sempre com mais satisfação desejado, de dia para dia, assim o Rosário seja cada dia sempre mais praticado e devotado.

Tudo isto realiza outubro para o Rosário, que bem merece ser chamado o Pentecostes desta devoção, que anualmente recomeça com nova vida sem jamais envelhecer, porque o Rosário é como a árvore sagrada, que produz os frutos das quatro estações, abrangendo, desta forma, todos os dias do ano.

Outubro marca um ponto de partida desta prática, porque outubro é tão aliado a esta devoção, que não é possível  mencioná-lo sem lembrar o Rosário, sem recordar um dos mais belos meses do ano, em que a família católica se reúne na Igreja paroquial para a reza do Terço do Santíssimo Sacramento, sendo oficiante o próprio Pároco.

Cantos entremeados com orações, a par do incenso a subir em borbotões perfumados elevam-se para o trono do Emanuel,  do Deus conosco, que o Rosário admira e contempla sem interrupção, sob todos os aspectos e manifestações de amor para com os seus remidos, para com os seus escolhidos, para com os seus adotivos, tornados participantes de sua natureza divina.

Como se parece esplendidamente o Pentecostes o mês de Outubro! Pois durante um mês se ouvem as melodias e glórias do Rosário, que propaga e faz amar esta devoção toda mariana, que regenera e purifica as almas, enfervorando-as para que prossigam nesta prática, fervorosamente , de ano para ano.

O Tesouro do Santo Rosário - Frei Cristovão Pirolli
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Jesus eu Vos amo em todos os Sacrários da terra, vinde ao meu coração, vinde vivei em mim e transformai-me!